Geriatria

Quando o organismo reduz progressivamente suas habilidades, afetando gradualmente diversos órgãos e sistemas orgânicos, é sinal de que os nossos amigos estão a envelhecer.

E quando é que isso acontece?

Existem diferenças individuais, familiares e raciais no processo de envelhecimento, mas geralmente podemos considerá-los pacientes geriátricos quando:

1) - Raças pequenas, com menos de 10 kg, atingem de 9 a 13 anos de idade.

2) - Raças médias, que apresentam de 10 a 15 kg, atingem de 9 a 11 anos de idade.

3)- Raças grandes, que apresentam de 25 a 45 kg, atingem de 7,5 a 10,5 anos de idade.

4) - Raças gigantes, que apresentam mais de 45 kg, atingem de 8 a 10 anos de idade.

Os Gatos vivem em média 12 anos e podemos considerá-los idosos a partir de 7-8 anos de idade. No geral, além do pequeno porte, os que não saem à rua, que são castrados e de raças mistas, têm maior longevidade (vivem mais tempo).

Apenas 13% dos cães de raças grandes atingem 10 anos de idade, ao passo que 37% dos de raças pequenas chegam a esta idade. Já os animais de raças gigantes, tem uma expectativa de vida de apenas 6,5 anos em média

E como se dá o processo de envelhecimento?

De forma gardual e silenciosa. As alterações atingem vários sistemas ao mesmo tempo: o sistema imunológico vai ficando confuso e ineficiente, o metabolismo já não é mais o mesmo, o sistema músculo-esquelético vai se modificando (como nos humanos há diminuição da massa e força muscular e aumento do depósito de gorduras), há um desgaste articular importante (mais evidente e comum em animais obesos e sedentários), os ossos estão mais frágeis, os dentes já sofreram desgastes e houve perdas importantes de dentes, as secreções de enzimas, hormônios e outras substâncias importantes para o bom funcionamento orgânico já não são tão eficazes como antes e assim há alterações em vários sistemas orgânicos. Com o avanço dos anos tanto os rins quanto o coração e os pulmões diminuem sua eficiência natural e alguns sinais sutis como aumento ou diminuição na ingestão de água e da quantidade e freqüência urinária, cansaço e tosse após exercícios podem sinalizar alterações nesses sistemas. Com relação a atividade e interesse, a maior parte do tempo que antes era utilizado para brincar e explorar o ambiente, agora é preenchido com o sono ou sonolência. A diminuição da acuidade visual, da audição e do interesse no ambiente, também vai acontecendo gradativamente.

O que vem a ser Disfunção Cognitiva (DC)?

Quando o cão passa a ter dificuldades em reconhecer pessoas , lugares e objetos, apresenta diminuição da memória e capacidade de atenção, regressão na aprendizagem adquirida (como defecar e urinar em locais impróprios), problemas de orientação espacial (tem sede e não encontra o local do seu bebedouro, p.ex.), alterações no ciclo de sono e vigília (dorme muito durante o dia e acorda muito ou fica agitado a noite, p.ex.), pode estar perante uma Disfunção Cognitiva, muito semelhante à Doença de Alzheimer dos humanos. As lesões pós mortem, tanto em animais quanto em humanos, são muito semelhantes e as pesquisas apontam como causas prováveis, a deposição de uma proteína beta-amilóide no córtex cérebral e no hipocampo, inibindo a transmissão de sinais cognitivos entre os neurônios. Também existem evidências de um aumento na atividade da enzima MAO, responsável pela degradação da dopamina, favorecendo o acúmulo de radicais livres e desta forma interferindo na transmissão do impulso nervoso e facilitando a formação das tais placas amilóides. O aumento funcional do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal também vem sendo potencialmente responsabilizado pelo quadro.

As alterações comportamentais, neste caso, não estão associadas a doenças propriamente ditas, e sim a cognição (memória, aprendizado, percepção e entendimento). Agressividade, comportamentos compulsivos ( como andar em círculos, uivar ou chorar ou gemer em excesso) e diminuição na interação com a família, são achados comuns nos portadores desta disfunção.